Em 2001, para assinalar a passagem dos 500 anos da criação do Município, a Vila concebeu uma homenagem aos protagonistas da centenária saga baleeira: um monumento, da autoria do escultor Pedro Cabrita Reis, colocado no porto a desafiar o oceano. Nessa data, Cabrita Reis escreveu um breve texto em que fala da sua obra e do modo como com ela procurou, em termos estéticos, corresponder a uma representação da saga baleeira. |
«Uma obra deve perdurar no tempo, atravessando as diversas conjunturas temporais, sem se tornar anacrónica. Para isso, deverá ter uma forte carga simbólica, em vez de se limitar apenas a tentar, pobremente, imitar a realidade. A sociedade transforma-se por via das interrogações que a cada momento se colocam, as mentalidades enriquecem-se e criam uma consciência nova. Apesar de tudo não podemos ignorar o que fizemos, e a história das Lajes do Pico é inevitavelmente feita também pelos baleeiros.
Uma comunidade responsável deve viver em paz com a sua história. Para marcar a lembrança do seu passado construiu-se um monumento que transmite para o futuro algo que faz parte de si próprio. É essa a intenção de um Monumento à Baleação.
Do homem interessa-nos o seu engenho, a sua capacidade de edificar. Do mar e da baleia, um todo aqui simbolizado pela curva desenhada ao longo do monumento.
No branco luz, a memória da espuma das ondas. E os nomes dos baleeiros que fizeram a história da baleação nas Lajes do Pico.»
Pedro Cabrita Reis, escultor (2001) |
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